domingo, 25 de novembro de 2007

Arnaldo Antunes

Hoje vou postar duas músicas do Arnaldo Antunes. Todo mundo sabe que o adoro por ser um verdadeiro poeta. É uma pessoa que tem um cuidado incrível com a linguagem. O curioso é que as músicas que vou postar vêm em seguida uma da outra, no CD "Um som", e tratam da mesma situação, mas sob perspectivas diferentes. Não só. Uma foi feita em parceria com o Paulo Leminski e a outra com a Alice Ruiz, mulher dele. Lá vai:

SOCORRO

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir.

Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor
Já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração.
Que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa.

Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada.
Socorro, eu já não sinto nada.

ALÉM ALMA

Meu coração lá de longe
Faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.

Pra que me serve um negócio
Que não cessa de bater
Mais me parece um relógio
Que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora
Se eu estou tão bem assim
E o vazio que vai lá fora
Cai macio dentro de mim?

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